
Editado por: Isabel Carvalho, Lígia Paz, Pedro Nora
Com contribuições de: Brendan Byrne, Clare Thornton, David Riff, Debra Savage, Dmitri Vilensky, Esther Leslie, Frederikke Hansen, Isabel Carvalho, João Alves Marrucho, João Sousa Cardoso, João Teixeira Lopes, Jorge Louraço, Katharina Schlieben, Kirsten Forkert, Lígia Paz, Marina Vishmidt, Mário Moura, Mark Hutchinson, Marta Bernardes, Paul Buck, Sønke Gau, Vitor Silva, W.A.G.E.
“Para a consciência moderna, o artista (substituindo o santo) é o sofredor exemplar. E entre os artistas, o escritor, o homem da palavra, é a pessoa a quem olhamos como sendo o que melhor é capaz de expressar o seu sofrimento. [...] Como homem, ele sofre; como escritor transforma o seu sofrimento em arte. O escritor é o homem que descobre o uso do sofrimento na economia da arte – como os santos descobriram a utilidade e necessidade do sofrimento na economia da salvação.”
Susan Sontag – “The artist as an exemplary sufferer”, Against Interpretation (Londres: Vintage, 1994 [ed. original, Nova Iorque: Farrar Straus & Giroux, 1966]).
Os textos reunidos em A “Economia do Artista” propõem análises críticas às políticas culturais, às instituições e à própria estrutura de pensamento dos intervenientes culturais em cujo centro se encontra o artista. A forma de questionar a precariedade que subsiste no meio artístico é aqui apresentada por vezes como uma acção individual, por outras como o resultado de uma consciencialização colectiva de carácter associativo. As vinte contribuições apresentadas tomaram a forma de ensaio, de entrevista, de reflexão, de episódio biográfico – sem qualquer tipo de hierarquização entre os diferentes formatos por parte dos editores – são propostas de reflexão que procuram contribuir para o debate público. Têm a vantagem de permitir uma análise diversificada e heterogénea da complexidade das relações entre arte e economia, que podemos constatar serem comuns a Portugal, EUA, Rússia, Reino Unido, Suíça, Dinamarca, etc., espelhando, somos levados a crer, uma realidade global.
2010 / 16 x 22.5 cm / 408 p. / p/b / Pt / Eng

"O coração já não funcionava. Acabou por não ser visto por ninguém e comentava‑se que talvez estivesse guardado numa cave ou escondido entre a cabeça e os pulmões. O guia parecia querer guardar só para si esse tesouro." IC
2009 / 50 x 70 cm / cartaz / p/b / Pt

Com colaborações de ATLAS projectos, Dayana Lucas, Isabel Carvalho, João Alves Marrucho e Pedro Nora
Entre 1 de Junho e 15 de Agosto de 1909 foram publicados em Portugal, pela mão de Grácio Ramos e Pinto Quartim, 6 números do periódico anarquista Ámanhã.
Na apresentação do número inaugural, os seus autores definiam a publicação como uma “revista popular de orientação racional, rompendo com todo o passado, sem respeitar nem ídolos, nem deuses, nem dogmas, nem preocupações.” Ao longo da curta existência do periódico foram debatidos nas suas páginas temas como a educação, o amor livre, o trabalho, a pedagogia libertária, o ateísmo e a propriedade.
2009 / 23 x 29.7 cm / 80 p. / p/b / Pt

Cartaz criado pela BF a partir de “Ne coupez pas nº 4” de Jean Claude Moineau (c.1966), para a exposição "O que é urgente mostrar" comissariada por José Manuel Bártolo em colaboração com o Centro de Estudos Multidisciplinares Ernesto de Sousa.
"[...] O Que é Urgente Mostrar é uma exposição de cartazes que envolve nove designers portugueses a quem foi lançado o desafio de expressarem a sua mensagem urgente através da escolha de um cartaz do Espólio Ernesto de Sousa ao qual deverão associar um cartaz de sua autoria. Através de um processo de diálogo, identificação ou confronto entre duas contemporaneidades é o próprio estatuto do cartaz, a sua função e lugar na actualidade, que é questionado, mediante a reflexão sobre as grafias e as mensagens, continuidades e rupturas, promovidas por designers de diferentes gerações.[...]" José Manuel Bártolo.
2009 / 48 x 68 cm / cartaz / cor / Pt

Isabel Carvalho
"[...] Um dia, depois de ter estado em casa de uns vizinhos e ter participado num jogo espírita, começou a escrever quatro livros em simultâneo sobre indicação do espírito de outra mulher, numa língua antiquada mas com sinais de modernidade, em desuso há mais de duzentos anos. Quando o caso se tornou conhecido incomodaram‑lhe os longos interrogatórios dos curiosos — espiritualistas e cépticos —, que lhe perguntaram como fazia para escrever e como se realizava a comunicação entre as duas. Explicou que quem os recitava era uma promissora escritora que tinha falecido prematuramente no século XVII, vítima de um ataque perpetrado por uma tribo de índios, não tendo tido oportunidade de escrever ela própria os seus livros.
A sua vontade era dar lugar à verdadeira escritora e afastar de si mesma toda a atenção, porque afinal considerava‑se apenas uma escriba. De tal forma se apagou que nenhum livro foi assinado por si, recaindo sobre a sua companheira o mérito de ter escrito alguns clássicos da literatura. Os muitos livros que escreveram em conjunto, num curioso pacto de felicidade, eram singulares.[...]" IC
2009 / 16 x 10.5 cm / 68 p. / p/b / Pt

Isabel Carvalho
O tempo que “foi”, em parte, tinha sido o tempo-formiga, que foi dividido em milhares e milhares de partes. E sobre esse nada feito. O que eu queria era um tempo pleno, e foi então que eu me comprometi com esse tempo que me traria certamente novidades -– prazer e conhecimento.
Os medidores de tempo sonoros foram os primeiros a que eu renunciei. Lamento ainda hoje o som de sirenes e campainhas das fábricas, igrejas, escolas, prisões, hospitais, com uivos horríveis. Não desculpo que me lembrem do tempo que outros optaram.
2009 / 10,5 x 16 cm / 64 p. / p/b / Pt

André Guedes
2009 / 18.5 x 28.5 cm / 96 p. / p/b / Eng / Esp
“Estamos de visita a Airotiv. No entanto, Airotiv é um nome inventado para um lugar que existe na Nova Zelândia nos antípodas de Vitoria no Pais Basco em Espanha. O antípoda exacto encontra-se na realidade localizado no Sul do Oceano Pacífico, a cerca de 500 km da costa de Canterbury. Escolhemos a cidade de Christchurch, na costa de Canterbury, pois é geograficamente a cidade mais próxima nessa relação antípodal com Vitoria. As coisas de Airotiv, que podemos agora observar, não exprimem necessariamente a diferença desse lugar; pelo contrário, representam uma série de coincidências, repetições, eventos que reconhecemos. Estes elementos são documentos de coisas que aconteceram no início dos anos 1930, e que de novo acontecem, agora. De facto, Airotiv é onde nos encontramos nós neste preciso momento, em Vitoria.” André Guedes
The Airotiv Papers foi editada no âmbito de Airotiv, uma exposição individual de André Guedes no Centro Cultural Montehermoso em Vitoria, Espanha em 2009.
É constituída por um apêndice de imagens de arquivo e pela reedição de quatro textos publicados na Nova Zelândia: ‘The Sugarbag Years’ (1974) de Tony Simpson, ‘The Heyday of the One-Act Play 1930-1945’ (1984) de John Thomson, ‘Rabbits’ (1932) de Violet Targuse e ‘Port Supermarket Checks Out’ (2008) de Ian Steward.
Esta edição foi publicada em associação com The Physics Room (Christchurch, Nova Zelândia).

[...] chegámos à praia cedo e quando marcaram as 14h, num relógio de Sol improvisado com um galho espetado na areia, a reflectir numa lata de conserva que alguém tinha no bolso do sobretudo, de óculos de Sol postos, virados de barriga para cima, estavam dezenas, já quase chegávamos a uma centena naquela praia. Algumas cabeças estavam pousadas nas costas, nos ombros, nos braços, nas barrigas, nas pernas dos outros. Alguns davam as mãos. A massa escura preta que formávamos era semelhante a piche colocado nas estradas.
2009 / 14 x 20 cm / 36 p. / cor / Pt / Eng

Ricardo Nicolau
A possíveis leitores:
Jotta Dossier é um livro exercício de ventriloquismo: duas pessoas com aspas, Ana Jotta (artista) e Ricardo Nicolau (curador), falam alternadamente pela boca um do outro; é igualmente o ponto final de uma exposição, e uma cópia manca do Duchamp Dossier de Joseph Cornell. O livro apresenta imagens recolhidas por Ricardo Nicolau quando preparava s/he is her/e — a última exposição individual de Ana Jotta —, textos dos mesmos autores, cemitérios de nomes, listas de títulos, citações de escritos alheios, anagramas e palavras simétricas.
2009 / 22 x 30 cm / 192 p. / p/b / Pt / Eng

Projecto de Isabel Carvalho
Segundo volume de compilação de crónicas eróticas femininas escritas por autoras anónimas.
"[...] Isto recorda a tradição do trabalho "feito à parte", sobre anonimato ou recorrendo a um pseudónimo, a que muitos escritores recorreram para poder financiar a sua "voz" pessoal. Esse trabalho marginal tem para mim um valor próprio. Fico satisfeita se por acaso contribuo para a publicação desse resíduo cultural." IC
2009 / 10 x 12 cm / 32 p. / p/b / Pt

Mário Moura
[...] a hipótese que suporta os textos aqui reunidos é que o design, sem se dar conta, serve a ideologia neo‑liberal. Isto pode parecer uma acusação contraditória, até injusta, porque nunca tantos designers se preocuparam tanto com política como nos últimos tempos. Nunca houve tantos projectos que se propusessem resolver, através do design, os problemas sociais e humanitários do mundo – ao ponto de haver quem pergunte (com muito pouca ironia) se os designers não alinharão, naturalmente, à esquerda. No entanto, de boas intenções está o inferno cheio, e é precisamente quando o design quer ser mais activamente político que acaba por servir mais eficazmente a agenda neo-liberal. [...]
Embora a grande maioria tenha sido escrita no começo de 2008, os textos presentes nesta antologia foram publicados desde 2004 no blogue The Ressabiator (ressabiator.wordpress.com). Correspondem a uma selecção de entre os textos dedicados a temas políticos relacionados com design, mas também com cultura e financiamentos públicos.
2008 / 12 x 16.5 cm / 96 p. / p/b / Pt

Entrevista conduzida pelos editores da BF a Paul O’Neill e Mick Wilson.
Após um breve e frutuoso encontro com Paul O’Neill, em Bristol, os editores da BF decidiram lançar-lhe algumas questões em torno do tema das comunidades artísticas, objecto de estudo que tem explorado nas diferentes actividades que desenvolve. O diálogo, que foi mantido por email, estendeu-se a Mike Wilson que deu um contributo significativo à discussão. O ensaio visual que complementa o texto foi composto pelos editores.
2008 / 13.5 x 21 cm / 24p. / p/b / Pt / Eng

Nim-Jo Chung em colaboração com BF
"Neste vídeo, a figura, eu próprio, encontra-se sozinha. Não há ninguém para filmar, por isso coloco a câmara no chão, apontando-a na direcção do sol e afasto-me dela até que eu ou ela esteja fora de vista. Quando se dá o loop, como com todos os loops, é uma repetição, mas curiosamente é também como se a figura tivesse atravessado todo o planeta para aparecer novamente por detrás da câmara e repetisse, infinitamente, a mesma viagem. Não há qualquer tipo de encerramento narrativo. Há apenas uma aceleração mínima da fita, um pouco cómica mas, para mim, criando um cenário “infernal” do eterno retorno." Nim-Jo Chung
2008 / 30 x 42 cm / cartaz / cor / Pt / Eng

Participantes da exposição “A River Ain’t Too Much To Love”. Poemas de Ana Manso, André Romão, António Bolota, Gonçalo Sena, Isabel Ribeiro, Pedro Barateiro, Pedro Neves Marques e Renato Ferrão.
Esta publicação toma como ponto de partida a exposição “A River Ain’t Too Much To Love” – parte integrante da exposição “part-ilha”, Spike Island, Bristol, Reino Unido. Os editores convidaram os artistas participantes a escrever um poema sobre o rio de Bristol, o Avon. Mais do que um mero registo da exposição, River Avon é em si mesmo um potenciador de novas criações, através de um processo criativo pouco habitual para a maioria destes artistas.
2008 / 60 x 42 cm / cartaz / cor / Pt / Eng

Isabel Carvalho e Clare Thornton (ed.)
Vários autores
Minor Breast resultou da colaboração entre as artistas Isabel Carvalho e Clare Thornton. O projecto desenvolveu-se a partir de um interesse comum por comunidades, produção colectiva e por um desejo em chegar ao fundo das questões. A publicação reúne um conjunto de reflexões e conselhos adquiridos pelas participantes através de experiência própria ou de outrem, que as ajudaram a lidar com as relações difíceis entre vida/amor/trabalho. Composto através de uma rede internacional de amigas, família e contactos, Minor Breast centra-se em assimetrias, relações humanas, partilha de intimidade e feminismo, procurando estabelecer uma plataforma criativa e poética.
2008 / 11.5 x 16.5 cm / 48 p. / p/b / Pt / Eng

António de Sousa
Textos de João Paulo Sousa
"A aceleração crescente que caracteriza a nossa época contribui de igual modo para que se desvalorize a reflexão, entendida como um processo que precisa de tempo e, por isso, tende a ser substituído pela publicidade ou por esse verdadeiro ethos da contemporaneidade que é a divulgação. As obras são meramente divulgadas ou publicitadas, no interior de um vasto magma em que tudo se assemelha e uniformiza, onde quase nada tem direito a uma efectiva recepção crítica, capaz de questionar os seus processos constitutivos e de, expondo sentidos possíveis, interpelar efectivamente um potencial receptor. Com cada vez menos tempo para dedicar a cada objecto (tempo inútil, sem espessura, sem capacidade para resistir na memória), a nossa época assiste a uma sucessão permanente de novidades, cada uma apagando a anterior, como se apenas aquilo a que insistimos em chamar presente tivesse uma efectiva condição ontológica. Não admira, portanto, que haja evidentes sinais de cansaço e de saturação no que, obedecendo à lógica catalogadora da modernidade, poderíamos designar como o mundo da arte." João Paulo Sousa
2008 / 13 x 17.5 cm / 24p. / p/b e cor / Pt / Eng

Projecto de Isabel Carvalho
Textos de Calhau, Isabel Carvalho, Mário Moura, Lígia Paz e Luis Eustáquio
“Pela minha experiência em espaços geridos por artistas – como membro fundador, como artista convidada, como parasitária de espaços cuja gestão é temporária ou ainda como público – considero que estes funcionam como “castelos”: transposições físicas, concretas e reais de ambições de quem os conquista e os toma como seus. No momento em que o espaço é encontrado e aquando da sua ocupação e funcionamento, corporaliza-se nele um sonho, uma vontade de mudança (consciente ou não) do contexto em que se insere. Com o passar do tempo, e por consequência das sucessivas mudanças ocorridas dentro e fora do grupo ou indivíduo dinamizador, o castelo naturalmente transfigura-se inaugurando-se um outro momento. Em todo o processo a melhor parte é acreditar o suficiente para se erigir um castelo, a pior é esquecer que um dia essa vontade existiu.” Isabel Carvalho
2008 / 14 x 10,5 cm / 80 p. / p/b / Pt / Eng

Projecto de Isabel Carvalho
Textos introdutorios de Ana Butshke, Lígia Paz e Wanda
Colecção de crónicas eróticas femininas escritas por autoras anónimas. “As fantasias (no formato que se desejar) permitem que a procura da sexualidade de cada um – as suas nuances, os seus limites, a exploração dos seus segredos e desejos mais ocultos – seja uma experiência em si bastante satisfatória de autoconhecimento e de crescimento individual. Isto porque, antes de sermos dois (3, 4, 5...), somos um!” Wanda
2007 / 15 x 20 cm / 72 p. / p/b / Pt